Ultima atualização em 8 de Maio de 2025 às 15:32
Missão visa a fortalecer a cooperação internacional e promover o intercâmbio de conhecimentos entre a Ufopa e instituições angolanas.
Discentes de graduação e de pós-graduação da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) estão em Angola participando de missão acadêmica. O objetivo é fortalecer a cooperação internacional e promover o intercâmbio de conhecimentos entre a Ufopa e instituições angolanas. Durante a estadia no país africano, as estudantes ministrarão cursos teóricos e práticos em duas universidades angolanas: Universidade Rainha Njinga Mbande (UNMN), situada em Luanda, capital do país; e Universidade José Eduardo dos Santos, localizada na cidade de Huambo, a 380 km de distância da capital.
Participam da missão a Angola três estudantes de graduação da Ufopa: Fabiane Gonçalves dos Santos e Naira Ribeiro Borges, ambas do curso de Engenharia de Pesca, vinculado ao Instituto de Ciências e Tecnologia das Águas (ICTA); Juliana do Nascimento Ferreira, do curso de licenciatura em Ciências Biológicas, do Instituto de Ciências da Educação (Iced); além da engenheira de pesca Laura Machado de Carvalho, mestranda do Programa de Pós-graduação em Ciência Animal (PPGCA), vinculado ao Instituto de Biodiversidade e Florestas (Ibef).
“Acho muito interessante a iniciativa da Ufopa de fazer com que os alunos tenham essa experiência internacional. A gente vai para aprender e a universidade estimula a gente a obter esse conhecimento em outros locais”, afirma Juliana do Nascimento Ferreira. “O objetivo principal do projeto é levar o conhecimento das nossas experiências, principalmente em engenharia de pesca, nas áreas da biologia e da ciência animal e também sobre nutrição dos peixes”, afirma a estudante Naira Ribeiro Borges.
Liderada pelo professor Gustavo de Silva Claudiano, do Ibef, a missão é financiada por meio de chamada do Programa Integrado de Ensino, Pesquisa e Extensão Internacional (Peex Internacional). Gerido pela Assessoria de Relações Nacionais e Internacionais (Arni), o programa visa a promover a internacionalização da universidade, incentivando a participação de discentes e docentes em atividades de cooperação internacional.
Para o professor, o fortalecimento dos laços entre a Ufopa e as universidades angolanas poderá resultar em novos acordos de cooperação técnica e científica, facilitando futuras pesquisas conjuntas e mobilidade acadêmica. “A missão acadêmica na África é um marco para a internacionalização da Ufopa, unindo ensino, pesquisa e extensão em uma experiência transformadora. Para alunos e professores, essa atividade representa uma oportunidade única de crescimento profissional e científico, contribuindo para a formação de redes de cooperação que podem gerar impactos positivos duradouros na educação superior e no setor produtivo em ambos os países”, afirma Gustavo Claudiano, que também coordena o Grupo de Sanidade Aquícola (Gesaqui).
Protagonismo – Segundo o professor, o foco é a capacitação de estudantes e profissionais das Ciências Biológicas e Agrárias, promovendo o intercâmbio científico e a capacitação técnica nas áreas de Biologia Molecular e Patologia Animal. O curso de Biologia Molecular é voltado para alunos e profissionais das áreas de Medicina, Medicina Veterinária e Ciências Biológicas, com ênfase em técnicas laboratoriais essenciais para diagnóstico molecular. Já o de Patologia Animal é direcionado exclusivamente à Medicina Veterinária, abordando aspectos clínicos e laboratoriais fundamentais para a detecção de doença em peixes.
A missão internacional proporcionará diversas contribuições para a formação acadêmica e profissional dos envolvidos, tanto brasileiros quanto angolanos. “Além dos cursos, as alunas terão a chance de atuar diretamente nas capacitações, demonstrando técnicas laboratoriais e compartilhando suas experiências de pesquisa no Brasil. O protagonismo das estudantes nessa missão é um diferencial, pois permite que elas desenvolvam habilidades acadêmicas, de ensino e de extensão em um contexto internacional”.
Ração – A missão também contribuirá com discussões sobre a produção sustentável de ração para peixes, utilizando resíduos da agroindústria local, especialmente a mandioca. “Trabalhamos na fábrica de ração de peixes da Ufopa, onde utilizamos recursos naturais com o intuito de baratear a produção de ração para peixes e camarões, que é mais cara. No laboratório utilizamos a casca e a folha de mandioca, com o intuito de fazer esse barateamento. E levar um pouco dessa experiência de fabricar ração, na parte nutricional de organismos aquáticos, lá para Angola”, explica Laura Giovanna Machado de Carvalho.
“Essa abordagem está alinhada à expertise do Laboratório Múltiplo para Produção de Organismos Aquáticos (Lampoa), que tem conduzido pesquisas inovadoras sobre o aproveitamento da mandioca na nutrição de peixes e na produção de ração. Embora os professores Michelle Fugimura e Luciano Jensen Vaz, ambos do ICTA, não integrem a missão, suas alunas compartilharão a experiência adquirida nesse laboratório, demonstrando como essa tecnologia pode ser aplicada na realidade da aquicultura angolana”, explica Gustavo Claudiano.
Segundo o professor, a iniciativa também está conectada à pesquisa da doutoranda Vanda da Silva, que busca expandir o uso de resíduos agroindustriais em rações para peixes, fortalecendo práticas de produção sustentável na aquicultura angolana. O projeto é orientado pelo professor Humberto Minervino, do Ibef, dentro do Programa de Pós-Graduação em Sociedade, Natureza e Desenvolvimento (PPGSND) da Ufopa.
Ascom/Ufopa
23/04/2025