Ultima atualização em 17 de Abril de 2026 às 17:32
Trabalho destaca trajetórias de Zélia Amador e Ivete Bastos.
O ensaio “Amazônias, Amazônidas: as mulheres são como as águas dos caudalosos e revoltos rios, crescem quando se juntam!” está entre os 29 trabalhos selecionados na 5.ª edição do Prêmio Margarida Alves de Estudos sobre Ruralidades e Feminismos. O trabalho é assinado pelo professor Rogério Almeida, do curso de Gestão Pública e Desenvolvimento Regional da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), em parceria com as pesquisadoras Lilian Campelo e Maria de Nazaré Trindade.
Inédito, o texto traça o perfil de duas lideranças femininas do Pará: a professora da Universidade Federal do Pará (UFPA) Zélia Amador, militante do movimento negro, e a dirigente sindical Ivete Bastos, presidenta do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR) de Santarém, no Oeste do Pará.
Segundo Rogério Almeida, o ensaio revisita parte da trajetória dessas duas mulheres que vivem em Amazônias distintas. “A primeira, Zélia Amador, nascida no arquipélago do Marajó, filha de família rural, tornou-se professora e uma das principais lideranças no combate ao racismo no Pará. A segunda é Ivete Bastos, uma cabocla também de origem rural que se tornou liderança sindical dos trabalhadores e trabalhadoras do município de Santarém”, explica.
Além de registrar o percurso das duas lideranças, o ensaio dialoga com diferentes representações sobre a Amazônia e discute elementos do feminismo. “No relato, é possível observar a interseccionalidade nos enfrentamentos realizados pelas dirigentes, em que convergem lutas relacionadas à raça, ao gênero e à posição política”, afirma o professor.
Os autores
Lilian Campelo é jornalista, mestre em Comunicação Social pela UFPA e assessora parlamentar na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa). Sua dissertação aborda a luta pela terra e ilumina a trajetória do gatilheiro Quintino, figura conhecida nos conflitos agrários dos anos 1980.
Graduada em Matemática e Letras, Maria de Nazaré Trindade é doutora em Antropologia pela UFPA. Servidora pública aposentada, é autora do livro “Palavras entre Rios e Ruas: Ensaios sobre Literatura na Amazônia”, obra selecionada pelo Prêmio Dalcídio Jurandir.
Professor da Ufopa, Rogério Almeida tem-se dedicado à produção de ensaios. Já recebeu menção honrosa no Prêmio Serrote, promovido pelo Instituto Moreira Salles, considerado o principal da categoria no país, e teve obra finalista em comenda organizada em Lisboa pela Fundação Res Publica.
Premiação
O Prêmio Margarida Alves é promovido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) com o objetivo de reconhecer artigos acadêmicos, ensaios inéditos, relatos de experiências e memórias sobre ruralidades e feminismo na construção de territórios feministas, agroecológicos e emancipatórios no Brasil.
A premiação presta homenagem a Margarida Maria Alves (1943–1983), dirigente sindical que, após 12 anos de atuação no Sindicato Rural de Alagoa Grande (PB), rompeu padrões tradicionais de gênero, fundou o Centro de Educação e Cultura do Trabalhador Rural e lutou contra o analfabetismo, as injustiças e a exploração no campo. Defensora da reforma agrária, foi assassinada em 1983.
Ascom/Ufopa
13/03/2026
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