Desculpe, o seu navegador não suporta JavaScript!

Universidade Federal do Oeste do Pará

Ultima atualização em 16 de Abril de 2026 às 15:11

Estudantes de Geofísica da Ufopa localizam embarcações naufragadas no rio Tapajós


Descoberta ocorreu durante atividade de campo do curso

Como prática do curso de Geofísica da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), foi realizada uma atividade de campo no rio Tapajós, no trecho entre Santarém e Belterra, com foco principal na região belterrense. Durante a ação, realizada de 9 a 13 de março, foram coletados dados geofísicos com a operação de equipamentos como o sistema de Sísmica de Alta Resolução Monocanal, cedido pela Universidade de Brasília (UnB), e o sistema integrado de Batimetria Multifeixe e Sonar de Varredura Lateral, fornecido pela RuralTech.

Durante a atividade, com 8 horas diárias de navegação, foram coletados dados batimétricos, relacionados às medições de profundidade que mapeiam o relevo submerso do rio, e dados sonográficos, a partir de informações geoacústicas, que permitirão elaborar um modelo 3D da área de estudo e perfis sísmicos, como representações gráficas do subsolo. A análise preliminar dos dados batimétricos já apontou a presença de depressões, possivelmente associadas com presença de gás, afloramentos de rochas e dois naufrágios.

A análise prévia dos dados identificou que os dois naufrágios correspondem à balsa Rainha Ester e seu empurrador, que naufragaram em 4 de novembro de 2024, após um forte vendaval, ocasionando a morte de duas pessoas. As imagens geradas pelos métodos geofísicos permitiram determinar com precisão a localização das embarcações. O empurrador foi identificado a, aproximadamente, 4 km da praia do Cajutuba, enquanto a balsa, com cerca de 45 metros de comprimento, foi localizada na região da praia do Pindobal.

 

/media/file/site/ufopa/imagens/2026/ddeeab2d-42af-4061-9061-b125c6957e01.jpg

 

Relevância da Geofísica Aquática: A identificação dessas estruturas demonstra a relevância da Geofísica Aquática não apenas para estudos geológicos, mas também para aplicações práticas, como mapeamento de riscos à navegação, monitoramento ambiental e investigações de estruturas submersas.

A atividade de campo foi realizada com o objetivo de oferecer formação completar aos estudantes sobre métodos de Geofísica Aquática aplicados a estudos ambientais, geotécnicos e geológicos. Além da didática, o levantamento também visou a complementar os dados coletados durante uma campanha realizada em 2023, no âmbito de uma colaboração entre a Ufopa, UnB e IFREMER, da França.

A expedição ocorreu a bordo da embarcação de médio porte Jorge Olinto e contou com a participação de dez estudantes do curso de Geofísica e uma discente do curso de Geologia. A equipe foi acompanhada pelos docentes e pesquisadores Cintia Rocha da Trindade, da Ufopa, e Marco Ianniruberto, da UnB, além do apoio técnico de Perícles Macedo e de quatro tripulantes.

Professor Marco Ianniruberto considerou a campanha um sucesso em duas vertentes. Do ponto de vista da didática, proporcionou aos estudantes a oportunidade de operar equipamentos geofísicos tecnologicamente avançados e vivenciar na prática os métodos de levantamento em ambiente aquático. Do ponto de vista científico, permitiu coletar dados que serão extremamente úteis para o entendimento da evolução da bacia hidrográfica.

De acordo com a docente Cintia Rocha da Trindade, atividades de campo como essa são fundamentais para a formação prática na graduação. “As experiências adquiridas permitem que os estudantes desenvolvam habilidades técnicas e operacionais essenciais, especialmente em uma área como Geofísica Aquática, que emprega cerca de 50% dos geofísicos formados”, disse a professora. Ela também destacou que atividades como essa envolvem custos elevados e só são viabilizadas por meio de parcerias institucionais, incluindo a colaboração entre universidades, apoio de proprietários de embarcações e empresas parceiras.

A expectativa do curso de Geofísica da Ufopa é de que iniciativas desse tipo se tornem cada vez mais frequentes, consolidando a Geofísica como uma ferramenta estratégica para a investigação e compreensão de ambientes complexos como o rio Tapajós.

Ascom/Ufopa, com informação do IEG
19/03/2026

Registros da atividade de Geofísica no rio Tapajós. Fotos: Acervo do curso.

Descoberta ocorreu durante atividade de campo do curso

Notícia em destaque