Ultima atualização em 22 de Maio de 2026 às 13:06
Encontro reuniu cerca de 500 participantes na Ufopa e visitou área de cultivo em Prainha
O I Encontro da Cadeia do Cumaru da Região Oeste do Pará (I ECOCumaru) encerrou sua programação nesta quinta-feira, 21 de maio, com uma visita de campo ao Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) Vila Nova, no município de Prainha, a cerca de 140 quilômetros de Santarém. O evento, realizado entre os dias 19 e 21 de maio no Auditório Tapajós da Universidade Federal do Oeste do Pará, em Santarém, reuniu aproximadamente 500 participantes entre produtores, extrativistas, pesquisadores, representantes da indústria e do comércio.
Na avaliação da professora Daniela Pauletto, uma das coordenadoras do encontro, o evento aproximou diferentes segmentos envolvidos na cadeia produtiva do cumaru. “Muitas conexões foram estabelecidas. As distâncias entre indústria, comércio, academia e produtores extrativistas foram reduzidas durante o evento. Nosso público compareceu ao longo de todos os debates. Nós estamos muito felizes e já planejando os avanços que podemos ter na ciência e em outros setores para um próximo encontro no futuro”, afirmou.
O encerramento das atividades teve como anfitrião Raimundo José Rodrigues dos Santos, conhecido como Seu Zezinho, agricultor que mantém uma plantação com seis mil pés de cumaru no assentamento. Ele contou que buscou experiências de cultivo no município de Alenquer antes de iniciar a produção, atualmente responsável pela principal fonte de renda da família. “Não podemos ignorar a técnica do estudo e a prática do campo. Precisamos estar alinhados. Esse evento para mim trouxe muito aprendizado”, destacou Zezinho, que durante a visita conduziu os participantes pela propriedade e compartilhou sua experiência no cultivo da espécie.
A presidente da comissão organizadora, Profa. Daniela Pauletto, explicou a proposta da atividade de encerramento. “Este fechamento do nosso encontro é para discutirmos em campo o plantio de cumaru e os aprendizados que esses agricultores tiveram ao longo dos anos”, explicou.
Ela também ressaltou a intenção da universidade em fortalecer a articulação entre pesquisa científica e as demandas apresentadas pelos produtores e extrativistas. “Da parte da universidade, nós queremos formar um grupo mais robusto e que as pesquisas estejam alinhadas e convergindo para os mesmos objetivos a partir das demandas que a gente levantou dos agricultores e dos extrativistas”, afirmou Pauletto.
Em termos de volume, o cumaru ocupa o 25.º lugar na cadeia de produtos da biodiversidade; já em termos de valor, está em 16.º lugar. O Pará detém 80% da produção brasileira do produto. As cidades de Santarém, Oriximiná e Curuá são as maiores produtoras do estado. Nos últimos cinco anos, o preço do quilo do cumaru subiu de R$ 50 para até R$ 100 reais, chegando em alguns locais a ser comprado por até R$170 reais. Os números foram apresentados durante o I ECOCumaru.
Entre os participantes do encontro esteve Raquel Sampaio, da comunidade Jamaracaru, em Óbidos. Ela atua na coleta de cumaru nativo oriundo da Floresta Estadual de Trombetas, e investiu no plantio de mil mudas para ampliar a produção. “Juntar todos os envolvidos na cadeia do cumaru para discutir sobre esse produto, desde o produtor até quem faz e vende o perfume, quem compra o perfume do extrativista, foi muito importante. Isso tem que acontecer mais vezes”, avaliou.
Outra participante foi Ronívia Honda, a Dona Honda da comunidade Ituqui, no Planalto Santareno. Ela cultiva dez mil pés de cumaru e destacou a importância econômica da atividade para a família. “No meio do cumaru nós plantamos mandioca, jerimum e milho verde, que vendemos na feira”, relatou. Ao resumir o significado do cumaru para sua trajetória, respondeu em uma palavra: “Tudo”.
Ronívia também destacou a troca de experiências promovida pelo encontro. Durante a visita, conheceu Raquel Sampaio, trocou sementes e articulou uma futura visita à comunidade de origem da produtora. “Eu quero ter essa experiência de colher no meio da floresta, quero conhecer um pé de cumaru com 30 metros de altura”, afirmou sorrindo.
O extrativista Lorenaldo Almeida, da comunidade São Joaquim, em Oriximiná, sugeriu a criação de um coletivo do cumaru, nos moldes da organização existente na cadeia da castanha. “Estou muito feliz em conhecer o pessoal da Ufopa, os parceiros, os extrativistas. É muito bom fazer essas conexões e criar o nosso coletivo”, concluiu.
Lenne Santos – Ascom/Ufopa
22/05/2026