Ultima atualização em 19 de Maio de 2026 às 16:40
Evento ocorre na Ufopa de 19 a 21 de maio.
A abertura do I Encontro da Cadeia do Cumaru da Região Oeste do Pará (ECOCumaru), organizado pelo Instituto de Biodiversidade e Florestas (Ibef) da Universidade Federal do Oeste do Pará, reuniu cerca de 500 pessoas no principal auditório da Universidade, na manhã desta terça-feira, 19 de maio. Entre os participantes estavam pesquisadores, produtores e representantes da indústria que comercializa o fruto nativo da Amazônia, abundante na região Oeste do Pará.
Em sua fala na mesa de abertura do evento, a vice-reitora da Ufopa, Solange Ximenes, chamou a atenção para o que definiu como um “público expressivo” para discutir uma temática “relevante para a instituição, que é a cadeia do cumaru”. Para ela, o evento representa a possibilidade de um novo paradigma: “aprendermos a dialogar com a comunidade e com os diferentes parceiros” envolvidos nessa cadeia. “Nós, enquanto produtores de ensino, pesquisa e extensão, precisamos nos desafiar a estabelecer canais de diálogo como este evento”, afirmou, referindo-se à integração entre produtores, representantes do comércio e da indústria e os pilares que formam a universidade — ensino, pesquisa e extensão.
Para a presidente da comissão organizadora e uma das idealizadoras do encontro, professora Daniela Pauletto, o I ECOCumaru objetiva, como o próprio nome preconiza, “fazer eco sobre a cadeia do fruto”. Ela afirmou que a ideia do evento surgiu a partir de uma conversa entre os envolvidos na cadeia de produção, principalmente do comércio e da indústria. “Percebemos diferentes interesses entre os atores ligados nessa cadeia. O que a indústria busca? Em que os produtores estão investindo? Quais são suas atividades? E o que, de fato, nós estamos pesquisando na Universidade? Há uma necessidade de convergência entre essas expectativas”, afirmou.
Pauletto completou ainda que espera que todos os envolvidos apresentem suas demandas, se pronunciem e, principalmente, digam onde podem investir seus esforços: “Assim, a gente pode estabelecer parcerias com a universidade a partir do evento”.
Para um dos painelistas e representante da Kaapi — uma casa de fragrâncias que une biodiversidade brasileira e indústria química, com sede em São Paulo —, “este evento pode ser um divisor de águas na cadeia do cumaru”. A ideia, para ele, é “sair daqui com um entendimento comum e com um plano de expansão para juntar as forças da ciência e da indústria”, concluiu.
Dono de uma pequena propriedade rural no município de Alenquer, onde a Ufopa mantém um campus universitário, o agricultor familiar Jocivaldo Lima Rodrigues produz cumaru há quase 30 anos. Começou no início dos anos 2000, quando sua mãe plantou três mudas no quintal. As mudas começaram a produzir em três anos. Ele foi incentivado a aumentar a plantação por um comprador de sua produção de castanha. Seguiu o conselho, construiu um viveiro com quatro mil mudas e, hoje, o fruto do cumaru é uma das suas principais fontes de renda. “Hoje, uma parte da nossa economia familiar é movimentada pelo cumaru”, afirmou, referindo-se ao viveiro de seis mil mudas que mantém atualmente. Ele finalizou dizendo que espera que a universidade desenvolva estudos para melhorar a sua produção. Para ele, o “cumaru é um produto sustentável que movimenta a economia de todo o município de Alenquer”.
Para os organizadores, o I ECOCumaru pretende ser uma “rede de organizações, projetos e apoiadores unida por um propósito: valorizar a floresta, impulsionar a bioeconomia e promover o desenvolvimento sustentável na Amazônia” — objetivo compartilhado pelo proprietário de um viveiro mantido no bairro de Jaderlândia, na cidade de Santarém, Sidicley Matos: “Nós trabalhamos com 110 espécies nativas da Amazônia, dentre elas, o cumaru. Temos uma ligação técnica com a universidade. Quando necessitamos de alguma orientação nos processos do viveiro, recorremos à universidade, principalmente ao laboratório de sementes”. Ele ressalta a importância do evento para promover o que classificou como “conexões”: “Conexões técnicas e comerciais que podem trazer benefícios para toda a cadeia produtiva do cumaru, desde a semente até as mudas”.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) monitora o cumaru (Dipteryx odorata) por meio da pesquisa anual da Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS). As estatísticas oficiais focam a amêndoa do cumaru, destacando o extrativismo vegetal na região amazônica. De acordo com o levantamento anual dessa pesquisa, a produção do cumaru só cresce. Em menos de dez anos, ou seja, de 2019 para 2024, a quantidade produzida na extração vegetal do cumaru subiu de 127 toneladas anuais para 188. Ainda assim, representa muito pouco diante de outras cadeias, como a do açaí e a da castanha-do-pará, por exemplo, que apresentam números mais expressivos.
Mesa de abertura: Compuseram a mesa de abertura, além da vice-reitora da Ufopa, Solange Ximenes, o diretor do Instituto de Biodiversidade e Floresta (Ibef), professor Rafael Rode; o coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologias de Recursos Florestais (PPG-CTIF), professor Dr. Antonio Ramalho; o representante do projeto "Categoria", professor Dr. Gabriel Brito Costa; o representante para o Brasil da União para o Biocomércio Ético (UEBT), André Tabanez; o representante da Kaapi, Eduardo Matoso; o produtor familiar Jocivaldo Rodrigues; o representante do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), João Lucas Silveira; e o representante do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-Bio), Vicente Neto.
Logo após a cerimônia de abertura, houve a primeira mesa de debates, intitulada “Qual o tamanho do negócio do cumaru para a região?”, composta por Luiz Feijão (Ufopa) e André Tabanez (UEBT), com mediação do professor Felipe Lima Bandeira.
O I ECOCumaru ocorre de 19 a 21 de maio no auditório central da Ufopa, na Unidade Tapajós, em Santarém.
A programação completa está disponível na página do ECOCumaru no Instagram (AQUI).
Lenne Santos – Ascom/Ufopa
18/05/2026.