Ultima atualização em 7 de Julho de 2026 às 14:38
Momento de escuta das lideranças e territórios
Nos dias 6 e 7 de julho de 2026, a Universidade Federal do Oeste do Pará realiza o Seminário dos Processos Seletivos Especiais Indígena e Quilombola da Ufopa. Organizado pela Pró-Reitoria de Ensino de Graduação (Proen) e pela Comissão de Avaliação dos Processos Seletivos Especiais Indígena e Quilombola (CAPSE), o seminário é um momento de escuta das lideranças e territórios indígenas e quilombolas das áreas de abrangência da universidade. A programação ocorre no Auditório Wilson Fonseca da Unidade Rondon – Campus Santarém.
Nesta segunda-feira, 6, ocorreu a apresentação da minuta do edital do Processo Seletivo Especial Indígena (PSEI) e, na sequência ocorreu a abertura para debates e apresentação de contribuições dos participantes. Participaram desse primeiro dia de seminário lideranças indígenas do Baixo Tapajós, do Alto Rio Trombetas e de comunidades indígenas do entorno do município de Santarém. O ritual indígena, que juntou os participantes numa grande roda e fez uma saudação a Tupã (Deus indígena), marcou a abertura do seminário.
Entre as lideranças presentes nesta segunda-feira, 6, estava o cacique-geral Arnaldo Munduruku, da aldeia Caton, localizada na região de Jacareacanga. Ele representa 150 comunidades indígenas do Alto Tapajós. Durante a solenidade de abertura, em língua Munduruku, ele defendeu a oferta de cursos de graduação nas comunidades indígenas, a exemplo do que já ocorre no ensino médio. Outra liderança presente no seminário, o cacique Xokokono Wai Wai, que se manifestou em língua Wai Wai, defendeu a qualidade da educação indígena. Ambos tiveram tradução simultânea para a língua portuguesa pelos indígenas Orlando Wai Wai e Micenildo Kaba Munduruku, respectivamente.
Presente na mesa solene de abertura, a vice-reitora Solange Ximenes afirmou que o seminário fortalece o processo de ingresso de indígenas na universidade. Durante o debate, Ximenes ressaltou o protagonismo da Ufopa, "inclusive na contratação de profissionais indígenas como docentes da universidade. A Ufopa é pioneira nesse modelo de contratação e serve de inspiração para outras universidades. E isso só foi possível porque a universidade abriu esse processo lá em 2011, e nós já evoluímos muito nesse processo", afirmou.
A pró-reitora de Ensino de Graduação (Proen), Wania Alenxandrino, ressaltou a importância da escuta da universidade: "Nós vamos discutir as regras do edital. É muito importante que a gente mantenha esse nível de participação para que a gente possa aperfeiçoar e entregar o melhor processo seletivo especial da Universidade".
Estiveram também presentes na mesa solene de abertura os representantes do Centro Acadêmico Indígena da Calha Norte (CAICAN), Iolandino Wai Wai; do Diretório Acadêmico indígena (DAIN), Simone Arapiun; da Associação Indígena Pussuru, João Kaba Munduruku; da Lucybeth Arruda; o diretor do Sistema Modular Indígena (SOMEI) da Secretaria de Educação do Estado do Pará (Seduc), Poró Borari; e a diretora de Ensino da Ufopa, Luana Guedes.
Transmissão para os campi regionais pelo YouTube - 1º dia do Seminário (acesse aqui).
Discussões da minuta do PSEQ
Nesta terça-feira, no segundo dia do Seminário dos Processos Seletivos Especiais Indígena e Quilombola da Ufopa, pela manhã, houve a apresentação da minuta do Processo Seletivo Especial Quilombola (PSEQ) com a presença de estudantes e lideranças quilombolas. Entre as organizações presentes estava o Coletivo dos estudantes quilombolas da Ufopa (CEQ), a Federação das organizações quilombolas de Santarém (Foqs), e organizações quilombolas dos municíopios de Oriximiná e de Óbidos.
Durante a abertura dos trabalhos, o senhor Mário Augusto do Quilombo de Murumuru destacou a importância desse momento de discussão e o avanço no crescimento da participação de lideranças e estudantes quilombolas durante o seminário. Outro líder que se pronunciou foi Joilson dos Santos, do Quilombo Bom Jardim, que deu uma mensagem direta aos estudantes quilombolas que já estão na universidade: "Essa discussão é importante porque vai proporcionar que os outros estudantes quilombolas que vierem, neste ano, possam ter oportunidades melhores das que vocês tiveram, ou que o processo seletivo possa melhorar". Também participou a professora Gleicinara Rebelo, representante da Educação Quilombola do Estado no ensino médio. Ela reiterou a importância do momento de escuta e agradeceu à Ufopa por ouvir os anseios das lideranças quilombolas da região no âmbito educacional.
A mesa de abertura dos trabalhos desta terça-feira também contou com a presença dos representantes do CEQ da Ufopa, Khenny Silva; da Secretaria Municipal de Educação de Santarém, Leandro Laurindo; da Assosiação dos Remanescente de Quilombo de Óbidos, Douglas Sena; o diretor da escola Otávio Firmino, do Quilombo Bom Jardim, Márcio guimarães; a presidente da CAPSE, professora Lucibeth Arruda; e a pró-reitora de ensino da Ufopa, professora Wania Alexandrino.
Transmissão para os campi regionais pelo YouTube - 2º dia do Seminário - MANHÃ (acesse aqui).
Transmissão para os campi regionais pelo YouTube - 2º dia do Seminário - TARDE (acesse aqui).
Os seminários: São realizados pela Ufopa desde o início dos processos seletivos especiais: a partir de 2011 com o PSEI, e desde 2015 com o PSEQ. As dinâmicas propõem reflexão e troca, possibilitando à universidade avaliar os serviços voltados à formação dessas populações.
Os processos seletivos especiais são feitos como reconhecimento das desigualdades históricas enfrentadas pelos povos indígenas e quilombolas, dando ênfase à importância de valorizar saberes, culturas e identidades amazônicas.
Ascom/Ufopa
18/06/2026, atualizado em 07/07/2026
