Nesta quinta-feira, 5 de novembro, durante a programação de aniversário dos 17 anos da Universidade Federal do Oeste do Pará, foi realizada a reinauguração do Laboratório de Arqueologia Curt Nimuendajú que fica localizado na Unidade Tapajós/Campus Santarém.
O laboratório está ligado ao Bacharelado em Arqueologia da Ufopa, do Instituto de Ciências da Sociedade (ICS) e as ações desenvolvidas na unidade destacam a pesquisa, a preservação da memória e a valorização do patrimônio cultural amazônico. O acervo do laboratório é constituído por bens de vários municípios dos estados do Pará, do Amazonas e de Roraima e, atualmente, é a única instituição de guarda permanente reconhecida pelo Instituto do Patrimônio histórico e Artístico Nacional (Iphan) na região oeste paraense.

Com a reforma, o prédio recebeu melhorias na infraestrutura, na instalação elétrica, inclusive com adaptações de acessibilidade e ambientes de integração, ampliando as condições para o desenvolvimento de pesquisas, atividades de ensino e ações de extensão que focam a preservação e o estudo do patrimônio arqueológico regional.
A reforma foi desenvolvida por meio de parceria entre a Fundação Integração Amazônica (Fiam), a empresa Raízen/Petróleo Sabbá e a Superintendência de Infraestrutura (Sinfra) da Ufopa.
A coordenadora do Laboratório de Arqueologia, professora Anne Rapp, informou que está em execução outro projeto que possibilita a instalação de equipamentos mais sofisticados no espaço. Essa ação segue até 2028 e é desenvolvida com apoio da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), uma empresa pública federal vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Sobre as atividades desenvolvidas no laboratório, a coordenadora destacou a amplitude dos materiais analisados: “Aqui a gente tem um acervo de materiais antigos que vão datar de 10 mil, 8 mil, 5 mil anos, até do último final de semana. A gente trabalha com todo o processo de ocupação dessa região paraense, mas também de algumas regiões do Amazonas, de Roraima”. Segundo a professora Anne Rapp, o espaço se tornou um ponto de referência para várias redes de pesquisa: “Como a gente tem um colegiado com uma diversidade de formação, analisamos muitos materiais diferentes – cerâmica, lítico, carvão, fauna, solos, arte rupestre. Então, a maior parte dos vestígios arqueológicos, a gente consegue dar conta no laboratório”.
A reitora da Ufopa, professora Aldenize Xavier, destacou a importância do Bacharelado em Arqueologia da universidade que é o único curso de graduação presencial em Arqueologia em todo o estado do Pará. Sobre o Laboratório Curt Nimuendajú, ela afirmou que é um patrimônio da região. Nas palavras da reitora: “Além de ser um espaço de ensino e de pesquisa, é um patrimônio da região Oeste do Pará que registra as nossas histórias, as nossas memórias, e que é reconhecido pelo Iphan”. Ela ainda ressaltou que o laboratório também reflete a importância da Ufopa para a região e tem um grande significado nas celebrações de 17 anos da universidade, não só de conquistas internas para a comunidade acadêmica, mas de conquistas para toda a sociedade.
A cerimônia de reinauguração do Laboratório Curt Nimuendajú contou com a participação de membros da gestão superior, da direção do ICS, da Fiam, da empresa Raízen/Petróleo Sabbá, do colegiado de Arqueologia, de estudantes e egressos do curso.


Sobre o nome do Laboratório de Arqueologia da Ufopa
Curt Nimuendajú foi um antropólogo e arqueólogo nascido na Alemanha e que teve grande atuação no Brasil, principalmente, junto a povos indígenas. É considerado uma figura central e pioneira na antropologia e etnologia no Brasil. Seu nome de nascimento foi Curt Unckel. Durante a convivência com os Guarani-Apapocuva (no atual estado de São Paulo) recebeu deles o nome Nimuendajú, que significa “aquele que fez para si um lar” ou “aquele que veio a sentar (entre nós)”.
Mesmo sem formação acadêmica formal, dedicou mais de 40 anos a pesquisas de campo, estudando grupos e etnias indígenas diferentes, fazendo mapas e ajudando a salvaguardar objetos etnográficos e arqueológicos. E por conta de sua contribuição, Curt Nimuendajú é homenageado como nome do Laboratório de Arqueologia da Ufopa.
Conheça mais sobre o Laboratório Curt Nimuendajú em artigo publicado na Revista de Arqueologia (Acesse aqui).
Ascom/Ufopa
06/11/2026