Ultima atualização em 22 de Setembro de 2026 às 14:25
A iniciativa fortalece a proteção territorial, combate práticas ilegais e assegura a rastreabilidade da produção
O projeto “Sentinela da Mata: inteligência e rastreabilidade para a bioeconomia amazônica”, da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), foi aprovado e está em desenvolvimento em parceria com a Empresa Brasileira de Inovação e Pesquisa Industrial (Embrapii) – Unidade Bioforest. O projeto propõe uma solução tecnológica inovadora voltada ao monitoramento, rastreabilidade, proteção territorial e segurança das cadeias produtivas da bioeconomia em reservas extrativistas do estado do Pará.
O sistema utiliza dispositivos denominados “sentinelas”, instalados em pontos estratégicos da floresta, capazes de registrar automaticamente a presença de extrativistas autorizados e detectar movimentações suspeitas em áreas de coleta.
O professor Me. Clayton Santos, docente vinculado ao curso de Sistemas de Informação do Campus Oriximiná e coordenador do projeto, elucida que a etapa inicial é de “levantamento dos requisitos e de ida ao campo para avaliar a complexidade do lócus de implementação e, em seguida, planejar o desenvolvimento do sistema”.
A equipe do projeto é composta por catorze pessoas: seis docentes da Ufopa, dois docentes pesquisadores de pós-doutorado e seis bolsistas de iniciação científica, discentes da graduação em Sistemas da Informação dos campi Santarém e Oriximiná.
Contexto: Segundo Santos, as soluções convencionais de monitoramento apresentam limitações técnicas significativas em ambientes florestais densos, especialmente devido à baixa cobertura de Internet, dificuldades de acesso, limitações energéticas e elevados custos operacionais. Além disso, muitos sistemas atuais não contemplam mecanismos robustos de segurança digital, autenticação confiável e integridade dos dados coletados.
Nesse contexto, o projeto Sentinela da Mata propõe uma abordagem inovadora que integra monitoramento inteligente, segurança da informação e rastreabilidade confiável em um ecossistema tecnológico adaptado às condições da Amazônia. A iniciativa integra tecnologias como inteligência artificial, LoRaWAN, RFID passivo e blockchain para criar uma infraestrutura inteligente de vigilância ambiental de baixo custo e alta autonomia operacional.
O uso de blockchain, por exemplo, possibilita registros imutáveis das atividades de coleta, reduzindo riscos de fraude e fortalecendo a certificação de origem dos produtos da bioeconomia. Paralelamente, os mecanismos de autenticação digital e detecção automática de atividades suspeitas ampliam a proteção territorial e contribuem para o combate a crimes ambientais.
Resultados esperados e execução: A solução permite monitoramento contínuo mesmo em regiões sem cobertura de Internet ou energia elétrica, utilizando comunicação de longo alcance e alimentação solar. Além disso, o projeto incorpora mecanismos de segurança digital, como autenticação por identidade digital, registros imutáveis em blockchain, geração de alertas em tempo real e futura integração com sensores acústicos inteligentes para identificação de motosserras, detecção de queimadas e outras ameaças ambientais.
A proposta fortalece a proteção territorial, combate práticas ilegais e assegura a rastreabilidade da produção extrativista, promovendo maior transparência, agregação de valor e fortalecimento da bioeconomia amazônica sustentável.
O projeto entrou em desenvolvimento em setembro de 2026, e ocorrerá por meio de três etapas norteadoras, que serão refletidas em macroentregas. São elas:
Etapa 1 – Planejamento prévio e arquitetura do sistema distribuído;
Etapa 2 – Aquisições, testes em bancada e primeira instalação em campo;
Etapa 3 – Monitoramento operacional, integração blockchain e transferência de tecnologia.
Letícia Baracho - Ascom/Ufopa
22/09/2026